Dirce Carneiro por Diana Gonçalves
Pensamentos... palavras e poesia... em ação...querendo alçar voo, em mutação...
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O LÁPIS

Numa brincadeira de Amigo Secreto na escola, um menino ficou muito feliz ao retirar o nome de sua professora como amiga oculta.
Chegou a casa, contou a sua mãe que desejava comprar um lindo presente para sua mestra.
Falou a mãe, de sua expectativa se saber de seu amigo, de qual presente iria ganhar.
No dia da revelação, estava ansioso, pois comprara para a amiga querida, uma linda agenda com imagens de pintores famosos (ele sabia que sua professora amava Pintura).
Nunca chegava a sua vez. O que seu amigo oculto dar-lhe-ia de presente? Muita expectativa havia no olhar do menino.
Finalmente, ele poderia revelar sua amiga... Foi um momento mágico! Ele ficou feliz ao ver o rosto sorridente da mestra com o presente oferecido por ele.
A coleguinha que havia tirado o nome do menino, era a menina mais bonita e a que tinha mais posses na escola. Quando percebeu isto, o menino ficou entusiasmado. Ela poderia dar-lhe um presente muito bom (ele era um menino pobre que já havia gastado suas economias no presente de professora).
A coleguinha entregou-lhe um pequeno pacote. Ao abrir, o garoto percebeu que era um lápis. Ficou decepcionado, mas nada disse. Agradeceu simplesmente.
Durante a festinha de despedida do ano, a professora notou que o menino estava quieto. Aproximou-se dele:
_ Que houve Douglas?Por que estás tão triste?
_ Professora Denise, eu dei para ti uma agenda linda com amor e carinho e recebi apenas um lápis da Laura...
_ Isto não deve ser motivo para tua tristeza, meu querido!Com um lápis podes fazer lindos desenhos, escrever poemas maravilhosos, fazer tuas lições de casa. Não te esqueça, nada acontece por acaso, este lápis pode ser o início de algo maravilhoso para ti.
_ Eu entendi, professora! Disse o menino abraçando a mestra.
No mesmo dia antes de dormir, estava na cama segurando aquele lápis e lembrou-se do que a professora disse. Levantou-se pegou um caderno, e ficou por uns vinte minutos ali, parado. Nada vinha à sua cabeça. Lembrou-se de Laura. Embora tivesse ficado decepcionado com o lápis, não havia ficado triste com ela. Afinal, ele sempre a cobiçara secretamente. Mas ela era muito diferente dele, economicamente falando, não ia dar bola para um pobretão como ele.
Lembrou-se novamente das palavras da professora... “Um poema...” É isso pensou. Pegou o caderno e o lápis e começou a escrever. Nem ele sabe como aconteceu, de onde vieram aquelas palavras, mas depois de alguns minutos tinha escrito um lindo poema. Antes de dormir deu mais uma lida, descrente que fora ele quem havia escrito.
De manhã ao chegar à escola foi direto procurar a professora. Queria mostrar a ela o poema... Na sua ansiedade nem  percebeu que não era o momento ideal para mostrar sua criação; D. Denise estava com o diretor recebendo uma autoridade importante.
Ela não soube como agir, ali estavam a delegada de Educação e um aluno ansioso...

O impasse foi resolvido pela própria delegada de Educação, uma pessoa que antes de exercer o atual cargo, esteve muitos anos dentro de uma sala de aula e conhecia bem como funcionam as escolas. Ela entendeu o embaraço da professora  Denise e a necessidade do aluno, sabia que uma palavra às vezes é decisiva para influenciar toda uma vida, e ali estava aquele aluno, necessitado de alguém que lhe desse atenção, que dialogasse com ele. Então dirigiu-se a ele:

- Pois não, garoto, como é seu nome?
Ele respondeu que seu nome era Douglas.

- Douglas – disse a delegada – você quer conversar? Pode falar conosco. Nós estamos aqui para ouvir e ajudá-lo.

Ele narrou à delegada o ocorrido, desde a expectativa da brincadeira do amigo secreto, o sentimento que nutria pela garota,  o desapontamento ao ganhar apenas um lápis da garota mais rica da escola, a conversa com a professora Denise, a inspiração para escrever um poema, a surpresa e alegria por ter escrito versos tão bonitos.

A delegada conversou longamente com Douglas.  Disse-lhe que embora o presentinho da garota, à primeira vista, pudesse parecer insignificante, ele colaborou para a descoberta de um talento que o aluno nem imaginava que possuía. Seu dom para escrever o acompanharia por toda a vida, em todas as situações que ele ainda iria viver, nas horas alegres e tristes, nas vitórias e nos fracassos (aproveitou para dizer que devemos aprender com nossas derrotas). Disse-lhe que muitos escritores famosos começaram como ele, que obtiveram o reconhecimento porque persistiram no ofício de escrever. Por fim, lembrou-lhe que escrever traz muita satisfação, preenche de modo criativo o tempo, além de  ajudar a ver com mais clareza nossas idéias.

Douglas sentiu-se valorizado e muito edificado pela atenção e palavras, sobre as quais ele pensaria muito depois, principalmente a última frase que a delegada lhe disse:

- Quem sabe ler e escrever, jamais estará sozinho. Cultive o seu dom.



Denise Severgnini / Marcelo Bancalero / Soiroir / Diana Gonçalves
16/01/2008 – Vamos Escrever este Conto?

DIANA GONÇALVES
Enviado por DIANA GONÇALVES em 17/01/2008
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