Dirce Carneiro por Diana Gonçalves
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DESTINO INSÓLITO

Raquel era mais um vulto perdido na multidão. Naquela hora o metrô apresentava um movimento que mais lembrava uma imensa praça fora de um estádio de futebol. O som das máquinas misturava-se com as vozes das pessoas simulando um estranho concerto regido por um maestro invisível.  

Raquel  estava parada imersa nos seus pensamentos. Dirigiu, distraída, o olhar para a escada rolante e teve a sensação de que algo muito singular poderia acontecer dali em diante.

A  imagem daquele homem foi surgindo ante seus olhos. Ele vinha do andar de baixo e começou a aparecer como que em câmera lenta. Primeiro os negros cabelos emoldurando um rosto de ar europeu, em seguida os ombros largos vestidos de um belo” Giorgio Armani”, depois avistou a cintura que com certeza dava base a um belo “tanquinho” e pernas que a “dispendiosa” vestimenta não conseguia esconder os contornos.
Raquel ficou sem fôlego, quando ele se aproximou parecia que toda aquela multidão havia sumido e se viu sozinha com aquela beldade. Não sabe se de propósito ou por acidente, derrubou seus cadernos da faculdade bem na frente do ser homem.
Ele se abaixa para pegar enquanto ela fica impassível observando-o. Quando ele se levanta, sua voz quase não sai para lhe agradecer. Ele vê seu estado e pergunta se precisa de ajuda. Ela acaba aceitando. Vão a uma lanchonete no terminal e ele pede um refrigerante para os dois... Então ela percebe por baixo do elegante terno um colarinho que ela já havia visto antes. Já temendo a resposta, faz a pergunta... Você é padre?
Ele olha diretamente em seus olhos e diz... Sou sim, por quê?...

- Ao ver o seu colarinho, lembrei-me do meu professor de Geografia, ainda no colegial, ele não era padre como você, mas, usava uma batina e esse colarinho. Era Irmão Marista, desculpe, deixei-me levar pelas lembranças.

- Obrigada, pela ajuda, disse ela levantando-se e pegando os cadernos, preciso ir !

A reação dele foi imediata, segurou seu braço e disse:

- Fique!

-   Não teve tempo de ser circunspeta. Afinal entre prós e contras, a resposta era óbvia. Não sabia o que poderia acontecer, tinha medo até de pensar. Então disse:

- Olha, eu tenho que ir para a faculdade, já está na minha hora.

O padre lhe perguntou:

_Posso saber seu nome?

_Raquel, ela disse. E o seu?

_Paulo.

Agradeceu mais uma vez, hesitou por um momento, pois não sabia se daria um beijo em sua face ou em sua mão. Por fim beijou sua face.
Ainda estava assimilando a fragrância do perfume quando ele perguntou:

_Podemos nos ver de novo?

Ela pensou em gritar “Claro que não, você é padre! Só se for no confessionário!”, mas seus lábios a traíram, e disse que sim.

Ele lhe deu um cartão com o telefone para que ela ligasse. Quando voltou a realidade estava sozinha. Pensou: “Deve ser um pesadelo”, mas tinha nas mãos um cartão:  “Padre Paulo de Souza Berger” - Cel 8122 2776.

Já em sua casa, não conseguia coordenar seus pensamentos... O que fazer?

Não sabia por que ainda não tinha rasgado aquele fatídico cartão. Sentia-se como se Deus a olhasse lá de cima dizendo...”Você é uma menina muito má”.

Ligou a televisão para ver, como de costume, o noticiário, enquanto preparava um lanche na cozinha.

De repente, uma noticia chama a sua atenção. Um falso padre seduz mulheres no metrô e dá o golpe do baú, fazendo com que elas saquem dinheiro de suas contas, façam compras em lojas chiques da cidade e até empréstimos nos bancos. O retrato falado não deixa dúvidas: tratava-se do homem do metrô, um sedutor que se dedicava a aplicar o 171 em mulheres desprevenidas, sonhadoras e carentes.


11/01/2008
Diana Gonçalves, Marcelo Bancalero, Kate Weiss

Criações coletivas - Vamos escrever este conto?
DIANA GONÇALVES
Enviado por DIANA GONÇALVES em 12/01/2008
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