Dirce Carneiro por Diana Gonçalves
Pensamentos... palavras e poesia... em ação...querendo alçar voo, em mutação...
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Trilha
 
O amor é um lagarto em fuga:
desponta da testa a crina,
as patas se vestem de fogo.
Em nuvens, novelos devoram avelãs,
nossos pés encontram-se no espaço,
raptam luar  olhares indiscretos
 
Ele me diz que a morte é uma delícia
(naufrágio ébrio de palavras flutuantes).
O tempo repartido
se retorce em contramão.
Flores brancas em águas profundas,
reflexo de hubris submersos
 
De súbito, vejo uma pinta em sua pele.
A noite dorme sobre rasgos e dores.
Clima de lua e medo carbonizou nossa memória,
dramas sem começo, meio, fim.
Sofrimento escravizado, estado de cansaço:
Dilaceramento.
 
Cadáveres enfileirados em correntes,
pixels gotejando de um dispositivo cerebral.
O cadáver delicado beberá o vinho novo:
Se non há senso il sentiero
alla fine del viaggio
dov'è lo splendore?



 JULHO/2020

 Poetas: Dirce Carneiro, Ewaldo Schleder,  Marcia Tigani, Bianca Amaro,  Jade Luiza,  Jose Couto, Carvalho Junior, Scheila D. Sodré, Lourença Lou, Telma Srour , Flaviano M. Vieira, Maria Jacyra Lopes (não necessariamente nesta ordem).
Coordenou este poema Márcia Tigani.
Criação coletiva  ("Cadáver delicado") de alunos do Laboratório de Criação poética do professor Claudio Daniel)


 
SOBRE O CADÁVER DELICADO:
Cadáver esquisito
Cadáver esquisito é um jogo coletivo surrealista inventado por volta de 1925 na França.
No início do século XX, o movimento surrealista francês inaugurou o método do que ficou conhecido em português como cadáver esquisito, (do francês cadavre exquis, i.e., cadáver delicioso) que subvertia o discurso literário convencional. O cadáver esquisito tinha como propósito colocar na mesma frase palavras inusitadas e utilizar da seguinte estrutura frásica: artigo, substantivo, adjetivo e verbo. Outra curiosidade a respeito do método é que agrega mais de um autor. Cada um deles intervém da maneira que desejar, porém, dobrando o papel para que os demais colaboradores não tenham conhecimento do que foi escrito.
O título do jogo provém do primeiro dos cadáveres esquisitos conhecidos "O cadáver esquisito beberá / o vinho novo".
Trecho da Web em destaque
Criado em 1925 por artistas surrealistas, o “cadavre exquis”, ou cadáver esquisito em português, é uma forma de organizar uma criação coletiva com ênfase na aleatoriedade. Ele foi jogado pela primeira vez em Paris, pelos artistas Yves Tanguy, Jacques Prévert, André Breton e Marcel Duchamp.
Entre os presentes estavam Frida Kahlo, Joan Miró, Man Ray, e outros.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Cad%C3%A1ver_esquisito
https://www.nexojornal.com.br/expresso/2018/09/28/Como-funciona-o-jogo-%E2%80%98cad%C3%A1ver-esquisito%E2%80%99-t%C3%A9cnica-de-surrealistas
O nome é derivado de uma frase que resultou quando os surrealistas jogaram o jogo pela primeira vez, “Le cadavre exquis boira le vin nouveau”. (“O requintado cadáver deve beber o vinho novo”.) André Breton escreve que o jogo se desenvolveu na residência de amigos em uma antiga casa na rue du Château (não existente). No começo estavam Yves Tanguy, Marcel Duchamp, Jacques Prévert, Benjamin Péret, Pierre Reverdy e André Breton. Outros participantes provavelmente incluíram Max Morise, Joan Miró, Man Ray, Simone Collinet, Tristan Tzara, Georges Hugnet, René Char e Paul e Nusch Éluard.
Henry Miller muitas vezes participou do jogo para passar o tempo em cafés franceses durante a década de 1930.
 
CADAVRE EXQUIS
É provável que tenha sido Jacques Prévert quem tenha inventado, na rue du Château em Paris, com os amigos Yves Tanguy e Marcel Duchamp, uma versão do jogo dos «pequenos papéis»: um primeiro jogador escreve um nome num papel e dobra-o; o segundo escreve um verbo e esconde-o por sua vez; os outros fazem o mesmo com um complemento, adjetivos... A seguir desdobram-se todos os papéis e descobre-se uma frase, às vezes estranha ou cómica. Este jogo tomará, mais tarde, o nome de «cadáver esquisito», por causa da primeira frase nele encontrada, por acaso, e que impressionou particularmente os
participantes: «o cadáver esquisito beberá o vinho novo». A versão em desenho, inventada muito provavelmente por Yves Tanguy e André Masson, virá a seguir. O primeiro participante desenha qualquer coisa no lado esquerdo da folha deixando transbordar ligeiramente alguns traços ou formas para o outro lado da folha; o segundo jogador inicia a sua parte do desenho a partir destas pontas soltas, sem ver o que tinha sido feito anteriormente, e assim sucessivamente. Inicialmente, os cadáveres esquisitos desenhados seguiam a estrutura de uma frase e utilizavam por isso uma folha de papel disposta horizontalmente. Depois, os surrealistas, dando aos seus traços uma forma antropomórfica, necessitavam de uma folha na vertical: na parte superior o primeiro desenhava a cabeça, o segundo o tronco... Devido à importância dada ao acaso no ato criativo, o cadáver esquisito apaixonou todos os surrealistas, tornando-se o jogo emblemático da atividade coletiva do grupo.
Este cadáver esquisito pertence à segunda geração dos jogos surrealistas (a primeira sendo da época da rue du Château, dos anos 1925-1928). Ao contrário da grande maioria dos desenhos, não está disposto verticalmente. Os lápis de cor no papel preto foram utilizados pelos mesmos quatro autores em vários desenhos coletivos deste período (como no caso do desenho pertencente ao Museum of Modern Art de Nova Iorque). Em geral, estes desenhos são muito mais elaborados do que os de 1925. O papel não revela nenhuma dobra: é provável que os participantes, devido à qualidade do vergé, tivessem adotado outra estratégia que consistia em esconder o que já tinha sido desenhado anteriormente. Os autores não podem ser identificados porque não há ruturas evidentes no desenho a não ser as pernas do tronco feminino, na parte superior esquerda. Pode supor-se que este tronco, em cima à esquerda, seja de um dos participantes; as duas cabeças sejam da autoria de um segundo, e os outros elementos, uma espécie de “preenchimentos”, sejam dos dois últimos participantes. Como nesta matéria nem Breton nem Tzara eram verdadeiros profissionais do desenho, podemos provavelmente atribuir-lhes a paternidade dos «preenchimentos». A dupla cabeça corresponde à arte de Valentine Hugo, e a parte superior esquerda será então da autoria de Greta Knutson. Este cadáver esquisito foi muito provavelmente realizado numa noite de jogos em casa de Tzara e da sua esposa Greta, em Montmarte, no n.º 15 da avenue Junot. Esta casa, notável devido à sua arquitetura, construída entre 1925-1926 pelo vienense Adolf Loos (que Tzara conheceu em 1917 em Zurique), tornar-se-ia num ponto de encontro dos surrealistas, com destaque para o amigo do casal, Paul Éluard. Este último e a esposa Nusch participaram igualmente em jogos durante este período na avenue Junot.
Este desenho data de 1933, ou seja, um ano a seguir à rutura entre Breton e Valentine Hugo que, no entanto, ficaram amigos e vizinhos.
AC

Adquirido no Étude Libert-Castor, Paris, 8 de dezembro de 1997.
https://pt.museuberardo.pt/colecao/obras/116
EM PORTUGAL:
Os surrealistas portugueses recuperaram o cadáver esquisito, assim como outros jogos sujeitos às regras do automatismo e da actividade colectiva, directamente do movimento francês, e praticaram-nos activamente, tanto em expressões plásticas como literárias, indo do desenho a quadros de grandes porporções, e da simples frase ao poema extenso. Chegaram a alcançar uma riqueza e variedade maiores do que as que se podem encontrar entre os surrealistas franceses,[3] como o demonstra, em parte, a antologia publicada por Mário Cesariny (ver ref. 1).
A este propósito escreveu Ernesto Sampaio:[4]
Extremamente heterodoxo, o cadáver esquisito surrealista sobrevive ao suplício infligido pela roda infatigável do hábito e da rotina através do humor, da poesia e da imaginação, conciliando a expressão individual com a expressão colectiva numa síntese concreta onde os sinais maiores são a liberdade e o amor.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Cad%C3%A1ver_esquisito#Em_Portugal
CADÁVERES DELICADOS
Em meados do século passado, dentro de um movimento artístico chamado Modernismo, um grupo de artistas trouxe para a História da Arte uma proposta inovadora: representar paisagens e seres diferentes dos que vemos na realidade; mundos que mais se parecem com aqueles que vivemos em sonhos ou na imaginação. A esta nova vertente da arte foi dado o nome de Surrealismo.
O Surrealismo trouxe ares de liberdade com sua nova visão de mundo. Até hoje contagia a imaginação de quem aprecia as obras de seus artistas e faz soltar o braço e a mente de quem se aventura a experimentar os métodos que eles criaram! E foi isto o que aconteceu quando os alunos do Barreiros estudaram um pouquinho sobre os surrealistas e emprestaram sua proposta de desenho coletivo, a que chamaram de “Cadáveres Delicados”.
Para realizar os Cadáveres Delicados, os alunos se dividiram em grupos de no mínimo três pessoas, com a ideia de criarem seres imaginários, bem malucos mesmo. Um começava fazendo a cabeça, depois passava para o colega do lado, que não podia ver o que o outro tinha desenhado, e então este continuava a figura acrescentando o tronco e os braço; depois passava para o terceiro, que fazia as pernas e os pés. Por fim, o grupo abria o desenho e um ser completo e cheio de personalidade se apresentava!
Para esta atividade só havia duas regras: a primeira era que ninguém podia ver o que estava sendo criado antes ficar pronto; e a segunda era que cada um tinha que criar partes bem esquisitas, bem diferentes do mundo real.
No final da atividade, os seres criados foram reunidos em painéis para apreciação e todos se surpreenderam com tamanha criatividade! Ficou claro para os alunos que, quando a gente fica à vontade para desenhar “do nosso jeito”, livre de padrões ou expectativas, a criação rola solta. E também ficou evidente que, quando várias cabeças criam juntas, o trabalho fica bem mais rico!
Agora nossas salas de aula estão povoadas por estes seres imaginários! Vejam abaixo alguns deles.
http://abarreiros.org.br/cadaveres-delicados/
 
Cadáver Delicado
Cadáver Delicado é um jogo literário inventado pelos Surrealistas. Nele, cada "jogador" contribui com uma frase, num papel dobrado passado para que o jogadores escrevam. O jogador só pode ler a frase imediatamente anterior a que ele vai escrever. Ninguém tem idéia do todo e o resultado é sempre surpreendente. Veja aqui exemplos que fiz em sala de aula.
A terra gira em torno de nós
Para que um dia sejamos o que realmente queremos ser
Independente de sua raça ou classe social
Convivemos numa boa e na moral
A experiência do todo transforma um só ser
O mundo para ser melhor só depende dos homens
Aprenda mais comigo
Não precisamos concordar com isso
Só precisamos fazer
O novo sempre vem
Mas o velho tem seu lugar
Esse lugar é aqui
O pensamento vai longe até demais
A sala está vazia
Ficamos menos entusiasmados com esse silêncio
Tudo na vida tem um propósito debaixo do céu e acima da terra
A vida só ama os fortes ou você
Lute ou você morre
O sonho é o alimento da vida
O amor é fogo que arde sem se ver.
http://caralhaquatro.blogspot.com/2009/12/cadaver-delicado-e-um-jogo-literario.html
 
  
KyokoOtome6909
Com base em seus estudos, marque a alternativa que melhor descreve a técnica do "cadáver delicado", usada por artistas surrealistas. A Criação de uma obra coletiva, em que cada artista contribui com um uma parte, sem saber como é a parte do outro ou como será o resultado final. B Criação de esculturas à base de esqueletos de animais e restos de vegetais em decomposição. C Produção de filmes de animação confeccionados com fotografias estranhas. D Uso de embalagens de alimentos para criar roupas e adereços. E Troncos de árvores são usados como base para a pintura de imagens inusitadas.
https://brainly.com.br/tarefa/29178984

Historial
Doação de José-Augusto França em 2000.
Exposições
Lisboa, 1999, 138, cor; Badajoz, 2001, 236, cor; Lisboa, 2001, 236, cor.; Vila Nova de Famalicão, 2001, 236, cor; Madrid, 2002, 236, cor; Castelo Branco, 2002, 74, cor; Vila Franca de Xira, 2005, 43, cor; Tomar, 2009, s.p.
Bibliografia
António Pedro. Desenhos, 1999, 138, cor; Surrealismo em Portugal (…), 2001, 232, 236, cor; SANTOS, Da Escultura à Colagem (…), 2002, 74, cor; Um Tempo e Um Lugar (…), 2005, 26, 43, cor; Surrealismo Porquê? Nos 60 Anos da Exposição do Grupo Surrealista de Lisboa, 2009, s.p.

De entre os vários jogos desenvolvidos no âmbito do surrealismo, o jogo do Cadavre-exquis foi um dos mais populares e amplamente praticados pelos surrealistas portugueses. O método do Cadavre-exquis na sua vertente gráfica e visual, consistia em criar num qualquer suporte, geralmente papel, um desenho colectivo. O desenho era dobrado em tantas partes quantos os participantes que, sem verem o que o outro desenhou, apenas pegando nalgumas linhas e formas que chegavam ao limite da dobra, tinham de lhes dar continuidade e realizar no espaço que lhe foi atribuído um desenho liberto de preocupação moral, apenas atendendo ao repertório imagético e onírico que se apresentasse em automatismo. O resultado, fruto do acaso na construção deste discurso ou poema visual, afirmava-se como um acto de liberdade que procurava eliminar o controlo exercido pela razão e a aura do domínio autoral. É o caso do Cadavre-exquis criado por António Pedro, Fernando de Azevedo, Marcelino Vespeira e José-Augusto França, membros do Grupo Surrealista de Lisboa constituído em 1947. Elaborado em sentido vertical descendente, o desenho apresenta uma predominância de motivos figurativos de natureza anatómica integrados em contextos abstractos, que ajudam a perceber as questões de autoria. É facilmente identificável a emblemática e quase etérea mão longilínea de António Pedro, o modelar e incompleto corpo feminino de Fernando Azevedo, acompanhado de provocantes formas pontiagudas que lembram chifres, elementos estes, também comummente utilizados por Vespeira que aqui, todavia, se afirma pelos característicos seios voluptuosos, por fim, as formas abstractizantes que evocam alguns motivos já indicados anteriormente, resultado das incursões plásticas de José-Augusto França. Um diálogo visual em que cada uma das partes, ao articular-se com as demais, ganha e confere novo sentido ao todo.
Adelaide Ginga

http://www.museuartecontemporanea.gov.pt/pt/pecas/ver/337/artist
 
 
DIANA GONÇALVES e Poetas do Laborátório de Escrita Criativa de Claudio Daniel
Enviado por DIANA GONÇALVES em 20/07/2020
Alterado em 21/07/2020
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