Dirce Carneiro por Diana Gonçalves
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CADÊ O POVO?

A manifestação de hoje, dia 16/08, domingo, dia que em os trabalhadores tem seu descanso semanal e estariam livres para participar.
Mas cadê o povo? Cadê os trabalhadores que enchem os trens da CPTM, dos metrôs, dos ônibus lotados, que acordam à 4 horas da manhã, que precisam ganhar bolsa família para complementar a renda familiar, que financia sua casa própria a perder de vista no Minha Casa Minha Vida, que paga seu aluguel e faz ginástica para esticar o dinheiro para o mercado?
Cadê o povo que até bem pouco tempo via o sonho de ter um "doutor" na família só possível aos bem nascidos, ricos e predestinados?
Cadê os eleitores de Dilma, que a elegeram com 54.000.000 de votos? Esses eleitores representam trabalhadores citados acima, que compõem também o segmento da classe média. Todos formam e fazem parte do povo brasileiro. Cadê todos eles?
Não adianta a Globo News ficar mostrando o dia inteiro e especular o número de participantes auferido pela PM e organizadores desses movimentos, que são o Brasil Livre, Vem pra Rua, apoiados pelo PSDB, que pautaram o evento de hoje com Fora Dilma, PT e Lula. De propósito, deixaram de lado os parlamentares, o nosso Congresso e a Câmara, com seu Presidente Eduardo Cunha.
Como pedir impeachment da Presidente e de Cunha, se caberia ao próprio Cunha aceitar o pedido? Então deixaram o Cunha de lado. Não interessa atacar os políticos, eles estão ajudando os movimentos.
O Brasil Livre focou a pauta do impeachment, enquanto o Vem pra Rua ficou com o Fora Dilma. Tudo orquestrado organizado, dirigido.
Cadê a espontaneidade popular? Cadê o Clamor?
O Povo brasileiro não está nas ruas. Os eleitores de Dilma também são povo e a elegeram legitimamente pelo voto democrático.
As manifestações de hoje, 16/08, não representam toda a sociedade brasileira, o seu POVO, aqueles que carregam o piano para o país, que colocam a mão no pesado, na massa e lutam verdadeiramente por amor ao povo e à Nação.
Saem às ruas porque é Democracia, do contrário estariam bem guardados nas suas casas, nos seus empregos de favor ou não, recolhidos na "legalidade e na ordem", enquanto algum idealista arriscaria sua vida para mais tarde eles poderem ir às "ruas" vestidos das cores da bandeira e empunhar cartazes pedindo fora alguém que eles odeiam, não gostam, não compreendem ou atrapalha seus interesses. E tudo sob a capa da moralidade, da ética, do patriotismo e da hipocrisia. Mas isso não é confessado e nem se sabe se eles mesmos o sabem, se tem consciência dos verdadeiros motivos que os movem. Uns poucos, é claro, sim, sabem porque e pelo que protestam. Mas esses motivos não são revelados e assim manipulam a emoção, a indignação a necessidade de alguns, alimentam o sentimento de rejeição a algo que faz morada dentro de si, amalgamado durante séculos de cultura, costumes, hábitos, crenças e interesses e conveniências.
Camarote, dissimulado, perguntado porque em São Paulo o movimento ganha mais força do que em outros Estados, teve que mover os neurônios para contornar a resposta. Decidiu carregar as tintas na maior economia do país, no índice do PIB, e assim aqui em São Paulo é que se faz notar com maior evidência os efeitos da "crise". Deu para notar a enrolação inicial, mas depois pegou no tranco, seguindo o script acordado e traçado pela emissora. Propositadamente nem sugeriu as causas que já mencionei, aquelas oriundas da "cultura, costumes, hábitos, crenças, interesses e conveniências". Fatores esses que historiadores e sociólogos afirmam serem exportados para o resto do país, para pessoas que anseiam acender não só economicamente, mas também se identificar e se possível ser da classe considerada superior. É o sentimento colonialista arraigado, que desaparecerá das consciências sabe-se lá quando. Houve um tempo em que o Brasil, via São Paulo, copiava a Europa, principalmente França. E São Paulo exportava "a moda" para o resto do país. É tradição São Paulo exportar idéias, costumes, hábitos, preconceitos, vícios de todo tipo.
Ainda não nos livramos da síndrome do colonialismo.
Esse domingo de agosto não me representa.
Respeitem o meu voto, respeitem o povo brasileiro. Respeitem a Democracia, pela qual muitos lutaram e tombaram, por você, por nós, por todos.
‪
16/08/2015
DIANA GONÇALVES
Enviado por DIANA GONÇALVES em 16/08/2015
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