Dirce Carneiro por Diana Gonçalves
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UM RELATO SURPREENDENTE DE PAI PARA FILHO

Marcilio Aguiar
Hoje, 07 de fevereiro de 2014, um dia que nunca esquecerei.

Depois da experiência mais desafiadora e que mais me ensinou na vida, na qual criei “sozinho” meu filho por quase três anos aqui em São Paulo, amanhã, meu molequito Marco Aguiar vai voltar a morar com a mãe dele na cidade de Cambuí, no estado de Minas Gerais, distante 170Km aqui de São Paulo.

Durante esses três anos dia a dia juntos, vivi todo tipo de situação: ri muito, chorei muito, me surpreendi, entrei em pânico, fiquei com medo, me vi incapaz, e depois me percebi maior do que eu pensava. Não que eu seja grande assim, mas eu é que pensava pequeno sobre mim mesmo, como acontece com muitas pessoas.

Cozinhei, lavei, passei, arrumei casa e esfreguei chão e sanitário (eu já sabia fazer tudo isso, pois sempre morei só, mas antes fazia no momento que eu escolhia, e com um filho, o foco deixa de ser você e o seu ritmo).

Fizemos comida juntos, bati na bunda dele e chorei depois, estudei pra prova junto com ele, ajudei na lição, fingi felicidade pra não contaminá-lo com meu desespero, ficamos sem grana, ficamos com grana, viajamos, cantamos, infringimos regras, e acompanhei momentos de descobertas únicos na vida dele.

Mas agora, a vida vai fazer de novo o que ela incessantemente faz, independente da nossa vontade, MUDAR.

Mesmo com muitas coisas nitidamente mudando pra melhor, pois lá, com a mamãe, ele fará inglês, aula de guitarra, natação, colocará aparelho nos dentes e ele estudará num ótimo colégio, os sentimentos são dos mais diversos.

Por vezes tristeza, por sempre achar que eu poderia ter feito melhor, por vezes saudade antecipada, por projetar os momentos onde já sei que sentirei a falta dele no cotidiano, por vezes apego, devido a sensação de que alguém que vai embora pode ser a base de nossa felicidade, que irá embora junto, e por vezes, medo de errar e do desconhecido, sentimento que acompanha todo ser vivente.

No entanto, a certeza de que nada acontece sem um propósito oferece um pouco de alento.

Durante uma parte desse período, desde que ele demonstrou que queria de qualquer maneira viver comigo aos nove anos de idade, transformei toda minha vida para recebê-lo e o fiz da melhor maneira que pude, dedicando tudo a essa nova realidade.

Dentro dos dez por cento de minha cabeça animal, criei a idéia fixa de que eu seria o grande provedor de tudo e ele o recebedor. Tinha a certeza que poderia mudar a vida dele pra melhor, criando-o juntinho todos os dias, e oferecendo a ele coisas que ele não teria vivendo somente com a mãe, tanto ensinamentos genéricos da vida que eu supostamente tenha e ela não, como também uma referência masculina como pai e ser humano, ou seja, eu daria e ele receberia, somente. Mesmo por que, sou adulto, maduro, e experiente. Um adulto não é mesmo?

Eu estava parcialmente certo, e ofereci tudo isso a ele, mas faltava muito para eu ver o cenário todo, como ele acabou se mostrando durante esses três anos.

Independente da idade, todos nós já somos colocados nesse mundo com algumas qualidades inquestionáveis e coisas a serem aperfeiçoadas também. O Marco me transformou. Hoje vejo nitidamente que, com doze anos, em alguns aspectos ele é mais evoluído espiritualmente do que eu. Existem coisas que preciso trabalhar em mim que ele tira de letra, coisas que não são nem assunto para ele.

Durante esse tempo em que vivemos juntos, esse menininho mudou minha vida para sempre.
Marco é um cara tranquilo, sem medo de nada, maduro, confiante, e que está sempre pronto a ceder (mesmo em coisas muito importantes para ele), para agradar o outro.

Não falo como pai babão, e sim como pessoa que está reconhecendo humildemente que a idade não é critério para classificar e julgar as pessoas. Todos nós temos pontos fortes e pontos fracos, e de alguma maneira, nos completamos.

Certo dia, fomos remar e em desci o rio Uma, no litoral de São Paulo, e sumi na imensidão daquele braço de rio que desaguava no mar. Fui até o mar e o Marco ficou no restaurante do Japonês, à margem, pois eu pedi que me esperasse lá.
Depois de 30 minutos de sumiço, e eu lá no mar, encostado numa praia onde havia conhecido um casal de amigos ( Batô K b lo e Helena Sato ) meu filho Marco aparece do nada, remando sozinho em busca de seu papai “perdido”.

Eu fiquei estupefato. Muito surpreso. Perguntei meio atônito, o que o motivou a descer um rio sozinho com seu caiaque pra ir atrás de mim, sendo que ele nunca tinha ido ali, e o lugar era enorme, desconhecido, o rio desaguava no mar, realmente um lugar muito intimidador para uma criança de 11 anos que havia remado pouquíssimas vezes e sempre acompanhado de pertinho por mim.

Questionado por mim, ele disse que esperou um pouco, tomou fôlego e disse pra si mesmo: “Vou salvar meu pai pois ele deve estar em apuros”.

Então saiu remando sozinho no rio em busca do “náufrago” aqui.

Lembrei-me daquela máxima: Ele, não sabendo que era difícil, foi lá e fez, sorrindo e sem medo.

Então, Marco Aguiar, meu amado filho, agora que vamos de novo rumo a novidades e ao desconhecido, quero aprender com você: quero aprender a não ver lá na frente, se será ou não difícil ou ficar remoendo sobre como será.

Vamos fazer o que tem que ser feito, tudo da melhor maneira que pudermos, com coragem, e de preferência, rindo.

Marco, eu vejo você!

Você é meu filho, você é meu amigo, e você é um cara que eu admiro.

EU TE AMO MEU FILHO

Marcílio de Aguia
MARCILIO AGUIAR
Enviado por DIANA GONÇALVES em 08/01/2015
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