Dirce Carneiro por Diana Gonçalves
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LEITE COM MANGA MATA
Publico este relato, dando seqüência às descrições das artes infantis, tópico desenvolvido lá no Fórum.


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Morávamos no interior e todos os dias íamos (eu e mais 2 irmãs) buscar leite numa fazenda. A cidade era cheia de mangueiras e como vocês sabem, “manga com leite mata”.

Um dia resolvemos tirar esta verdade a limpo: combinamos comer manga no caminho e lá na fazenda tomar leite fresquinho, tirado na hora,  da têta da vaca.

A fazendeira, antes de dar o leite, sempre perguntava:

- "Vocês não comeram manga, não?" E nós respondíamos em coro:

- "Não”.

Naquele dia, não foi diferente, só que nossa resposta foi mais enfática:

- “Nããããããããããããããããããão.


Entre olhares cúmplices, tomamos o leite, pegamos as garrafinhas e voltamos, prestando bem atenção para ver se a morte vinha.

No caminho de volta, trocávamos olhares enigmáticos, naquele desafio à morte.


Já em casa, antes  do café da manhã, mãe perguntou se tínhamos comido manga, respondemos que não. Mais leite. Lá pelo meio dia, vendo que nada acontecia, decepcionadas, uma de nós disse:

- "Nós não morremos".

Fomos contar para mãe o ocorrido. Ela fez aquele drama mexicano, pôs as mãos na cabeça e exclamou:

- "Valha-me meu Deus, Nossa Senhora".

O resto, não me lembro, deve ter chamado a vizinhança, algum médico conhecido, corrido para algum hospital. Mainha era muito trágica.


Outra coisa que fazíamos era estraçalhar as bonecas de pano que nossa mãe fazia para ver o que tinha por dentro. Curiosidade de criança.

Na estação, com raiva das moças que não deixavam a gente brincar (íamos como ama-seca, se não os pais não deixavam sair), ficávamos murchando a roda dos vestidos, quando elas se sentavam. E dávamos risada, imaginando que elas pensavam que estavam todas garbosas, com a roda dos vestidos murchos.




21/10/2006
DIANA GONÇALVES
Enviado por DIANA GONÇALVES em 21/10/2006
Alterado em 04/08/2015
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