Dirce Carneiro - Diana Gonçalves

Textos

ESCRITORES, COMO ADMIRO VOCÊS!
Sempre houve, de minha parte, uma cobrança em colocar no papel a prosa e poesia da vida, do mundo, do universo, do cosmos.

Pensei que quando eu respondesse ao chamado de  escrever, isto  fosse uma coisa natural, fluente como  água brotando da fonte, espontânea como sorriso de criança, pronto como mãe correndo ao escutar o choro do bebê recém-nascido, necessário como dar o peito ao rebento.

Imaginava que apenas me debruçasse sobre o teclado, meus dedos incessantes preencheriam laudas e mais laudas com o sentimento do mundo, usufruindo com farta produção a sensação do dever cumprido, prazer de não desperdiçar um talento que muitos diziam e eu acreditava ser detentora.

Agora mais do que nunca, sei que o ofício é dos mais árduos, seja o texto poético, prosa, científico ou o que for. Não basta o talento e a vontade sem disciplina e vice-versa,  há que nos socorrer a inspiração e a crença no conteúdo do gesto de escrever.

Fico pensando na capacidade e bravura dos cronistas daqui do Recanto, dos jornais de grande circulação e daqueles consagrados na  Literatura. Transformam fatos cotidianos em leitura cativante, com graça, beleza, elegância, criatividade. Expressam seu sentimento do mundo com ironia, lirismo, crítica ou elogio, mas sempre com habilidade e inspiração. Dir-se-ia, ao ler alguns textos, que ao serem  gerados, seus autores estavam  iluminados. Que dizer da inventividade e maestria de contos, poesias, frases.

Não sei a que créditar a esterilidade de que sou acometida. É bem verdade que papéis desempenhados por nós no dia a dia não têm nada de poético. Sufocam  a nossa  fantasia, puxam-nos  por demais para o concreto da vida, para a aspereza das relações interpessoais, para a realidade fria e cruel.  O noticiário nos deixa as  alternativas de gritar nossa indignação e perplexidade ou calarmos paralisados pelo medo e impotência diante da violência e outras mazelas do século.

Seja qual for a sua rotina, escritores maravilhosos, tenho que tirar o chapéu para  todos vocês e saudá-los por cada texto que publicam. Sei agora - cada texto publicado significa um ato de superação, uma atitude  de resistência ao tempo presente, o conjugar o verbo crer no modo imperativo e muito pessoal, dizendo na primeira pessoa seu comparecimento na vida, seu estar neste mundo de maneira sempre afirmativa e constante. Tudo isso serve à palavra em todas as suas formas,  e esta sim, não pode calar.



05/02/2006
DIANA GONÇALVES
Enviado por DIANA GONÇALVES em 06/02/2006


Comentários

Tela de Claude Monet
Site do Escritor criado por Recanto das Letras